Luz e Tinta Preta
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Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010
Quarta-feira, Dezembro 08, 2010
O Peso das Palavras.
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
-Álvaro de Campos, "Lisbon Revisited"
Lisboa, dás cabo de mim. Lisboa, eu amo-te por dares cabo de mim. Esgotas-me, tiras tudo o que podes da minha rarefeita sanidade. Matas-me com as dolorosas luzes, os sons agudos e estridentes da cidade, os rostos cansados e febris dos pedintes. Agonias-me com a frase repetida vezes sem conta pelos cegos nas carruagens do metro, a mulher que aperta a mala contra si com o medo de ser assaltada, os estrangeiros que esperam na linha em que o metro nunca parará. Impressionas-me com a beleza das ruas do Bairro Alto repletas de gente interessante e desinteressante, com o álcool sempre sorridente e o cheiro doce da substância a pairar pelos ares frios desta cidade. Abraçaste-me com a noite mais bonita e surreal que pude experenciar.
Não pensas sequer em dar-me descanso. És doentia e arrastas-me aos teus melhores e piores recantos, ó Lisboa. Em menos de 2 meses já me fizeste sentir os punhos de outra forma de vida na minha cara, já me obrigaste a arrastar-me por metade da cidade, vestindo umas meias-calça rotas e vans manchadas de negro, com um rapaz que carregava "uma caixa de bolos, envergando as calças de casamento do pai e uma camisa desfraldada por baixo de um pullover vomitado" mas, Lisboa, também me trouxeste as pessoas mais interessantes e atulhadas de talento e beleza interior (e não só) que alguma vez conheci, e isso é mais do que eu podia pedir. Estarei eternamente grata. Gosto. Gosto! Gosto! Gosto de não viver numa vila miserável. Gosto de ver as coisas a acontecer. Gosto de ser resgatada por um segurança a meio de um concerto e ter uma banda mundialmente conhecida a desejar-me boa sorte. Gosto de me sentir viva. Ai Lisboa, nunca me deixes abandonar-te. Por favor, sê assim para sempre. Com o teu caos e as tuas pessoas.
Não pensas sequer em dar-me descanso. És doentia e arrastas-me aos teus melhores e piores recantos, ó Lisboa. Em menos de 2 meses já me fizeste sentir os punhos de outra forma de vida na minha cara, já me obrigaste a arrastar-me por metade da cidade, vestindo umas meias-calça rotas e vans manchadas de negro, com um rapaz que carregava "uma caixa de bolos, envergando as calças de casamento do pai e uma camisa desfraldada por baixo de um pullover vomitado" mas, Lisboa, também me trouxeste as pessoas mais interessantes e atulhadas de talento e beleza interior (e não só) que alguma vez conheci, e isso é mais do que eu podia pedir. Estarei eternamente grata. Gosto. Gosto! Gosto! Gosto de não viver numa vila miserável. Gosto de ver as coisas a acontecer. Gosto de ser resgatada por um segurança a meio de um concerto e ter uma banda mundialmente conhecida a desejar-me boa sorte. Gosto de me sentir viva. Ai Lisboa, nunca me deixes abandonar-te. Por favor, sê assim para sempre. Com o teu caos e as tuas pessoas.
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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010
Sexta-feira, Novembro 05, 2010
Os "clássicos" do Cinema.
Quem segue com fidelidade este blog, já deve ter percebido que sou uma grande fã daquela a que chamamos 7ª arte, o Cinema. Entre todos os filmes que são feitos todos os dias, seja em Hollywood, em Bollywood ou na aldeia mais próxima, desde sempre que existem aqueles que se destacaram. Ora por serem terríveis, um falhanço total, ora por serem excelente produções onde foram investidos milhões e milhões. É neste último grupo que se encaixam os ditos "Clássicos do Cinema".
Está mal. Está mal e sou eu quem o diz. E digo-o porque filmes como o Avatar, muito recente, já se tornaram clássicos. Afinal quais são os critérios que um filme deve respeitar para se integrar nesta categoria? Qualidade? Não me parece. Investimento monetário no filme? Não me cheira. Subornos? Talvez. Se eu devia estar calada antes que o James Cameron venha ler o meu blog? Sim, devia.
Não quero falar deste filme em concreto, é certamente um trilião de vezes melhor do que muitos dos filmes que passam na Sic e na Tvi ao sábado pela tardinha. Mas frustra-me um bocado ver um filme daqueles a ser considerado uma obra de arte, até porque NÃO o é de maneira nenhuma. Para mim, um bom filme tem de ser daqueles do "arco da velha" em que, no final, uma pessoa sente a necessidade de dizer "Não percebi um carago". Bem, não exageremos, eu vi o Primer e juro que não percebi nada do início ao fim! Falo de filmes que nos obriguem a uma pesquisa posterior ou até mesmo a uma simples reflexão interior. O Shutter Island, que vi recentemente, é um bom exemplo disso, tal como o Stroszek, Palindromes ou qualquer outro filme de Werner Herzog ou de Stanley Kubrick.
Ao dizer isto, não quero fiquem a pensar que só gosto de filmes desses. Não, nada disso! Há tantos filmes de "historinhas" que me marcaram muito, principalmente aqueles que envolvem a máfia e outros negócios manhoso. The Godfather, Un prophete, Scarface e Goodfellas, por exemplo. Podiam fazer filmes destes todos os dias que eu não iria cansar-me de os ver infinitamente. São produções ambiciosas, ricas, completas e complexas, e ainda cheias de poder, com tudo para poderem ser considerados clássicos. No entanto, alguns deles não são e isso também me entristece.
Não quero falar deste filme em concreto, é certamente um trilião de vezes melhor do que muitos dos filmes que passam na Sic e na Tvi ao sábado pela tardinha. Mas frustra-me um bocado ver um filme daqueles a ser considerado uma obra de arte, até porque NÃO o é de maneira nenhuma. Para mim, um bom filme tem de ser daqueles do "arco da velha" em que, no final, uma pessoa sente a necessidade de dizer "Não percebi um carago". Bem, não exageremos, eu vi o Primer e juro que não percebi nada do início ao fim! Falo de filmes que nos obriguem a uma pesquisa posterior ou até mesmo a uma simples reflexão interior. O Shutter Island, que vi recentemente, é um bom exemplo disso, tal como o Stroszek, Palindromes ou qualquer outro filme de Werner Herzog ou de Stanley Kubrick.
Ao dizer isto, não quero fiquem a pensar que só gosto de filmes desses. Não, nada disso! Há tantos filmes de "historinhas" que me marcaram muito, principalmente aqueles que envolvem a máfia e outros negócios manhoso. The Godfather, Un prophete, Scarface e Goodfellas, por exemplo. Podiam fazer filmes destes todos os dias que eu não iria cansar-me de os ver infinitamente. São produções ambiciosas, ricas, completas e complexas, e ainda cheias de poder, com tudo para poderem ser considerados clássicos. No entanto, alguns deles não são e isso também me entristece.
Mas não faz mal, eu dia vou ser grande e vou revolucionar esta trampa toda.
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Sábado, 10 de Julho de 2010
Sábado, Julho 10, 2010
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por uma boa causa...
Boat Behind
Consegui! Consegui as notas que precisava para poder estudar em Lisboa. Consegui mostrar a mim mesma que sou mesmo teimosa para o que quero. Consegui o meu sonho. Consegui.
Estou feliz, apesar dos dias mais negros que se intrometeram na minha vida ultimamente. Sofria com a ânsia de saber o que me esperava, agora sofro com a ânsia de pisar solo lisboeta.
Quero aprender a viver pelas caras cansadas no metro, por aquele sotaque nojento que eu tanto gosto, pela beleza e pelas imperfeições do lugar, pelo caos. Gosto dessas imperfeições. Amo incondicionalmente a confusão, as multidões à hora de ponta. Eu consigo ver beleza nisso, mas não a consigo explicar. Talvez seja o resultado de tantos anos no meio do nada, de tanta calma e de velhinhas com bigode e barba. Estou com a cabeça nas nuvens, nem sei bem o que ando para aqui a dizer.
Bem, finalmente acabou o pesadelo do secundário. Acabou, mas acabou em beleza
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Quinta-feira, 8 de Julho de 2010
Quinta-feira, Julho 08, 2010
Edição (i)Limitada e com sotaque Açoriano.
"A ver se sai alguma coisa de jeito. Pode ser que dure dois dias ou duas semanas ou dois meses ou coise. Mas pronto, ao menos tentou-se."
-Diogo Lima
Não durou dois dias, nem duas semanas, nem dois meses. Já dura há mais de meio ano (há aproximadamente 7 meses, para ser mais precisa) e conta com 10 podcasts, não tendo em conta a edição experimental. O blog digital/analógico é da autoria de Diogo Lima, Rodrigo Vaz, Milton Pereira, Bruno Moreira, Susana Damião, Afonso de Sousa, Margarida Duarte e António Costa, e encontra-se repleto de música, cinema, vídeos da natureza mais surreal e nonsense, imagens que falam por si só, ou até mesmo de simples devaneios sobre chinelos que estão há mais de um ano no mesmo sítio.
Para além de tudo isto, uma vez por mês (e às vezes duas), Diogo Lima por si só, ou com a companhia de mais alguns elementos supracitados, publica aquilo a chama "Edição Limitada", o seu acarinhado programa de rádio online. Soam sonoridades que podem ser consideradas raras na rádio portuguesa, conversas (por vezes) informativas e muita parvoíce à mistura, o que é positivo na minha opinião. Vá, quem não gosta de ouvir umas barbaridades de vez em quando? A moral estabelecida não existe para esta gente, transgridem-na como loucos, dizem "merda" muitas vezes e tocam em temas que não vem nem à cabeça do menino jesus, ainda que actuais. Além disso, a música é boa e quem disser o contrário, ou sofre da mona ou não percebe nada disto.
P.S.: Comecem a seguir a Edição Limitada nem que seja para ouvir e gozar com o sotaque açoriano.
A Thousand Words.
Tenho o prazer de criar histórias sobre as pessoas que vejo passar. A mãe apressada com um filhote ao colo e outro dentro de si, o homem das rastas que anda com o djembê atrás, o homem de negócios que anda a trair a esposa, a rapariga que fica horas à espera do namorado. O que há para não pensar? As pessoas interessam-me. As pessoas são interessantes. Eu gosto de pessoas.
A normalidade é demasiado fraca para mim, gosto de imaginar histórias dramáticas em que o simples homem de negócios é na verdade um serial killer e vai matar o Cavaco Silva. A menina que espera o namorado permanece lá horas e horas e parte em busca do seu amor e, quando o descobre, corta-o aos bocados, mete-o dentro de uma mala e manda-o ao José Sócrates por correio.
Gosto de coisas assim, até porque não fazem o mínimo sentido.
Tenho tantas vezes vontade de dizer olá a um desconhecido só porque me parece interessante. Pode ser alto, baixo, gordo, magro, preto, vermelho, amarelo, ter sida, qualquer coisa. Mas há pessoas que conseguem ser interessantes só através de uma simples troca de olhares. Chega a ser frustrante a impotência de poder simplesmente acenar, para não fazer figura de parva. Faz-me pensar, e fico contente ao passar por essa mesma pessoa novamente, por mero acaso. E caio naquele poço de leve agonia por ter voltado a permanecer estática.
Foi por essa razão que decidi pôr aqui este vídeo. Faz-me sentir ainda mais arrependida por todas as vezes em que deixei passar a oportunidade de conhecer pessoas pouco banais, pessoas capazes de me dizer alguma coisa. No entanto, teimosa como sou, continuarei assim até ao fim dos meus dias.
Apreciem lá...
directed by Ted Chung
A normalidade é demasiado fraca para mim, gosto de imaginar histórias dramáticas em que o simples homem de negócios é na verdade um serial killer e vai matar o Cavaco Silva. A menina que espera o namorado permanece lá horas e horas e parte em busca do seu amor e, quando o descobre, corta-o aos bocados, mete-o dentro de uma mala e manda-o ao José Sócrates por correio.
Gosto de coisas assim, até porque não fazem o mínimo sentido.
Tenho tantas vezes vontade de dizer olá a um desconhecido só porque me parece interessante. Pode ser alto, baixo, gordo, magro, preto, vermelho, amarelo, ter sida, qualquer coisa. Mas há pessoas que conseguem ser interessantes só através de uma simples troca de olhares. Chega a ser frustrante a impotência de poder simplesmente acenar, para não fazer figura de parva. Faz-me pensar, e fico contente ao passar por essa mesma pessoa novamente, por mero acaso. E caio naquele poço de leve agonia por ter voltado a permanecer estática.
Foi por essa razão que decidi pôr aqui este vídeo. Faz-me sentir ainda mais arrependida por todas as vezes em que deixei passar a oportunidade de conhecer pessoas pouco banais, pessoas capazes de me dizer alguma coisa. No entanto, teimosa como sou, continuarei assim até ao fim dos meus dias.
Apreciem lá...
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Segunda-feira, 28 de Junho de 2010
Segunda-feira, Junho 28, 2010
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O Cenário Possível.
Em primeiro lugar peço desculpa por qualquer acento que falte no texto que se segue, mas andei a comer pão enquanto estava a ser nerd e a ver séries aqui por cima do amigo Toshibinha, e é possível que alguma migalha tenha feito duma tecla abrigo.
Hoje fui à praia: aquilo está cada vez pior.
Além de o tempo não se ter apresentado propício a um bom dia de praia, consegui experimentar quase tudo o que odeio num só dia de nevoeiro:
- Andar em caminhos estreitos atrás de pessoas idosas com dificuldade de locomoção;
- Azeiteiros que querem mostrar ao mundo o seu bólide em decomposição combinado com algo a que eles chamam "música" mas onde eu não a reconheço;
- Crianças que sofrem de obesidade mórbida, crianças que podiam fazer publicidade à Michelin, a lamber gelados;
- Marroquinos a vender tapetes e relógios (e sabe-se lá mais o quê...);
- O Visconde da Apúlia (SIM, o que vocês estão a pensar);
- Pessoas a tentar bronzear num dia de nevoeiro e a ficarem com a marca do seu fio de ouro com a cruz de cristo;
- Mulheres com pêlos. Pelo amor da santa, estamos no séc. XXI.
Nunca fui fã de praia, é uma coisa que me aborrece. Não entendo como é que certos pastelões e pastelonas conseguem ficar ali horas e horas naquela tortura alucinante e causadora de tantos cancros a chutar bronzeador na veia, mais umas carradas de protector solar. Faria sentido se estivessem a dormir: mas não, eu capto sempre movimento! Eu derretia.
Podiam ao menos levantar-se, levar os seus filhos obesos a passear, ou até mesmo ao belo mar, para evitar visões desagradáveis a pessoas tão sensíveis a isso como eu. Faz-me mesmo impressão. E já viram daquelas pessoas que montam tendas na praia? Isso nunca fez sentido no meu mundo. Nem o guarda-sol, isso também nunca foi algo que parecesse prático pois, além de as pessoas não serem redondas (apesar de isto ser discutível), aquilo é bom para ganhar um bonito bronze à trolha.
Outra pergunta: alguém já viu uma pessoa a comprar um tapete a um marroquino na praia?
Arranjem-me um mundo novo, se possível. Um mundo em que as pessoas vão para a praia passear, jogar voleibol e apanhar só um bocadinho de sol, sem ganharem doenças dermatológicas, e onde não encontre pessoas com mais de 150 kg.
Obrigada.
Hoje fui à praia: aquilo está cada vez pior.
Além de o tempo não se ter apresentado propício a um bom dia de praia, consegui experimentar quase tudo o que odeio num só dia de nevoeiro:
- Andar em caminhos estreitos atrás de pessoas idosas com dificuldade de locomoção;
- Azeiteiros que querem mostrar ao mundo o seu bólide em decomposição combinado com algo a que eles chamam "música" mas onde eu não a reconheço;
- Crianças que sofrem de obesidade mórbida, crianças que podiam fazer publicidade à Michelin, a lamber gelados;
- Marroquinos a vender tapetes e relógios (e sabe-se lá mais o quê...);
- O Visconde da Apúlia (SIM, o que vocês estão a pensar);
- Pessoas a tentar bronzear num dia de nevoeiro e a ficarem com a marca do seu fio de ouro com a cruz de cristo;
- Mulheres com pêlos. Pelo amor da santa, estamos no séc. XXI.
Nunca fui fã de praia, é uma coisa que me aborrece. Não entendo como é que certos pastelões e pastelonas conseguem ficar ali horas e horas naquela tortura alucinante e causadora de tantos cancros a chutar bronzeador na veia, mais umas carradas de protector solar. Faria sentido se estivessem a dormir: mas não, eu capto sempre movimento! Eu derretia.
Podiam ao menos levantar-se, levar os seus filhos obesos a passear, ou até mesmo ao belo mar, para evitar visões desagradáveis a pessoas tão sensíveis a isso como eu. Faz-me mesmo impressão. E já viram daquelas pessoas que montam tendas na praia? Isso nunca fez sentido no meu mundo. Nem o guarda-sol, isso também nunca foi algo que parecesse prático pois, além de as pessoas não serem redondas (apesar de isto ser discutível), aquilo é bom para ganhar um bonito bronze à trolha.
Outra pergunta: alguém já viu uma pessoa a comprar um tapete a um marroquino na praia?
Arranjem-me um mundo novo, se possível. Um mundo em que as pessoas vão para a praia passear, jogar voleibol e apanhar só um bocadinho de sol, sem ganharem doenças dermatológicas, e onde não encontre pessoas com mais de 150 kg.
Obrigada.
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Domingo, 27 de Junho de 2010
Domingo, Junho 27, 2010
God damn it, things fall apart.
Isto de estar em férias é uma bela porcaria.
Uma pessoa passa o ano a desejar que esta altura chege e, quando finalmente a temos nas nossas mãos, só conseguimos dizer algo como "Que seca!" ou "Não se faz a ponta de um corno" entre outras frases ainda menos agradáveis e com um crescente número de palavrões à mistura para ser bem ao estilo do "nuórte".
Para piorar a situação, tenho acordado com uma leve e bem desagradável sensação. Sinto-me quase incapaz de a descrever. É uma espécie de um vazio que me anda a corroer por dentro, destrói-me, degrada-me. Talvez seja a sensação de ver o objectivo alcançado e a busca de um novo, uma busca incessante por aquilo que só o tempo me pode trazer. Deveria ter vergonha de admitir, mas talvez seja a primeira ponta de medo de sair de casa dos pais para um sempre relativo, talvez a passagem de uma existência miserável a uma existência menos parasita e mais produtiva. Eu quero sair daqui, não me vou acobardar à última da hora, isso não sou eu.
Desejar uma coisa que se teme consegue, ao mesmo tempo, ser sedutor e assustador. É bizarro, nunca me tinha visto noutra situação parecida. Não sei como reagir perante este impasse e digo desde já que não é fácil de lidar com ele. Passar manhãs a deprimir, tardes em frente ao um computador ou uma TV não é maneira de superar isso, pelo menos para mim. Tenho necessidade de ultrapassar isto.
Uma pessoa passa o ano a desejar que esta altura chege e, quando finalmente a temos nas nossas mãos, só conseguimos dizer algo como "Que seca!" ou "Não se faz a ponta de um corno" entre outras frases ainda menos agradáveis e com um crescente número de palavrões à mistura para ser bem ao estilo do "nuórte".
Para piorar a situação, tenho acordado com uma leve e bem desagradável sensação. Sinto-me quase incapaz de a descrever. É uma espécie de um vazio que me anda a corroer por dentro, destrói-me, degrada-me. Talvez seja a sensação de ver o objectivo alcançado e a busca de um novo, uma busca incessante por aquilo que só o tempo me pode trazer. Deveria ter vergonha de admitir, mas talvez seja a primeira ponta de medo de sair de casa dos pais para um sempre relativo, talvez a passagem de uma existência miserável a uma existência menos parasita e mais produtiva. Eu quero sair daqui, não me vou acobardar à última da hora, isso não sou eu.
Desejar uma coisa que se teme consegue, ao mesmo tempo, ser sedutor e assustador. É bizarro, nunca me tinha visto noutra situação parecida. Não sei como reagir perante este impasse e digo desde já que não é fácil de lidar com ele. Passar manhãs a deprimir, tardes em frente ao um computador ou uma TV não é maneira de superar isso, pelo menos para mim. Tenho necessidade de ultrapassar isto.
Perco muito tempo atenta nos gestos, nos olhares, nos sons. No perigo, na imagem, nos corpos, no resto. Vejo a paranóia a crescer em meu redor, as pessoas a adornarem-se com sorrisos fáceis, a envolverem-se em elogios falsos e é isso que me dá vontade de partir. Estou farta, estou tão farta de tudo! Preciso de caras novas. Gostava de acordar amanhã e de ver uma humanidade renascida, com a mente limpa como a de uma criança. Nada de preconceitos, nada de mentalidades corrompidas pelo dinheiro, poder ou religião. Acho que preciso de um mundo novo para me sentir feliz e pelo andar da carruagem serei uma eterna inconformada.
Eu nunca quis que isto fosse um blog de desabafos, mas ando um caco de criatura e a realidade é uma alucinação partilhada.
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Quarta-feira, 23 de Junho de 2010
Quarta-feira, Junho 23, 2010
O Ano da Morte de...José Saramago.
Foi com muita tristeza que recebi a notícia da morte de José Saramago. Além de ser um dos meus escritores portugueses favoritos, a sua personalidade foi também algo que sempre me chamou bastante a atenção.
Aqueles impropérios em pleno horário nobre, as inexistentes papas na língua, aquela maneira rafeira de se expressar em linha recta. Cada vez que lançava um livro era uma festa para mim. Não para o ler, por muito estúpido que pareça, mas para o poder ver na TV a dizer mal da trampa toda que não achava bem. Eterno inconformado, um grande artista das palavras.
José Saramago
16 de Novembro de 1922 — 18 de Junho de 2010
"Perdoai-me se vos pareceu pouco isto que para mim é tudo."
16 de Novembro de 1922 — 18 de Junho de 2010
"Perdoai-me se vos pareceu pouco isto que para mim é tudo."
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Sexta-feira, 18 de Junho de 2010
Sexta-feira, Junho 18, 2010
Cochaise, a banda do pavão.
É algo caseiro, que pretende ter esse som: o de casa. É feito em família e é por isso um som familiar e de conforto, chegando porventura ao intra-uterino. Curioso, afável, um pouco tenso, mas feliz. Acedemos a percussões de menor pressão acústica e evitamos os sons digitais, usamos as habituais guitarradas, e outras que tais. Acaba por ser algo intuitivo com aquilo que se tem no lar, nada megalómano, embora por vezes se torne épico, ou epopeico. Um projecto feito de jingles cinematográficos, o que pode por vezes parecer repetitivo. Tendo pois como filme das nossas vidas, uma pendular imagem de monotonia. "
Eu não podia dizer melhor. É provável que já tenham tido a experiência de gostar e memorizar uma música, imeditamente após a primeira vez que lhe deitaram o ouvido. Foi isso que aconteceu comigo quando o João Diogo Pratas, membro dos Cochaise, decidiu mostrar à vossa reles pseudo-escritora o site da banda, ainda em construção, onde soava a "Porquê".
Não é o tipo de música com que estamos habituados a lidar. Nada disso. Letras com impropérios e "coisas de mal dizer", instrumentais peculiares, por vezes impetuosos, outras vezes introspectivos. Sonoridades à sonhador a tempo inteiro. Cada música uma viagem.
E foi assim que me rendi.
Não tenho muito mais a dizer sobre este projecto, que desde o início me pareceu capaz de chegar tão longe. Com Cláudia na voz, na percussão e com o contributo da sua sensibilidade feminina, Sambado, homem dos 88 instrumentos e do delírio criativo, Alex na guitarra, na percussão e na dose carregada de inconformismo e, finalmente, Johnny no baixo, teclado e com a sua irreverência juvenil, temos os Cochaise. Podem ouvir aqui. E aqui também!
... és um pavão, tu que sonhas com plumas em ouro,
e com um tesouro, ao qual nada ficas a dever.
São belas como auroras essas que choras,
as lágrimas que vertes,
são diamantes tão puros de lapidados,
embelezados e multiplicados por espelhos da alma.
Que natureza reflectes em carpir?
E se rimas beleza, é com certeza pela familiaridade das partes em apresentação."
E desejo-lhes boa sorte, porque hoje em dia não basta ser bom ou muito bom.
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Domingo, 30 de Maio de 2010
Domingo, Maio 30, 2010
Medication Time!

Vintery, mintery, cutery, corn,
Apple seed and apple thorn,
Wire, briar, limber lock
Three geese in a flock
One flew East
One flew West
And one flew over the cuckoo's nest...
Serei a única a achar piada ao facto do grande Jack Nicholson fazer sempre papel de tolinho?
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Quarta-feira, 26 de Maio de 2010
Quarta-feira, Maio 26, 2010
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"What's your road, man? Holyboy road, madman road, rainbow road, guppy road, any road. It's an anywhere road for anybody anyhow."
Jack Kerouak, On the Road
The Tallest Man on Earth
E ele está confirmado para Paredes de Coura! Alguém partilha esta felicidade?
Éter
Já tinha saudades de ter no meu blog uma foto de fazer apaixonar os nossos olhos. Uma coisa digna de aparecer num sonho molhado do Andy Warhol.

We had two bags of grass, seventy-five pellets of mescaline, five sheets of high-powered blotter acid, a saltshaker half-full of cocaine, and a whole galaxy of multi-colored uppers, downers, screamers, laughers... Also, a quart of tequila, a quart of rum, a case of beer, a pint of raw ether, and two dozen amyls. Not that we needed all that for the trip, but once you get into locked a serious drug collection, the tendency is to push it as far as you can. The only thing that really worried me was the ether. There is nothing in the world more helpless and irresponsible and depraved than a man in the depths of an ether binge, and I knew we'd get into that rotten stuff pretty soon.
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Quarta-feira, 12 de Maio de 2010
Quarta-feira, Maio 12, 2010
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Quero é viver.
Vou viver
Até quando eu não sei
Que me importa o que serei?
Quero é viver!
Amanhã, espero sempre um amanhã
E acredito que será
Mais um prazer
E a vida é sempre uma curiosidade
Que me desperta com a idade
Interessa-me o que está para vir
A vida em mim é sempre uma certeza
Que nasce da minha riqueza
Do meu prazer em descobrir
Encontrar, Renovar, vou Fugir ou Repetir.
António Variações - Quero é Viver
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Quarta-feira, 5 de Maio de 2010
Quarta-feira, Maio 05, 2010
Papoilas
Foi esta manhã que a tinha deixado. Recolheu tudo o que lhe pertencia, pôs numa mala e saiu pela porta que dava para o jardim.
Bateu-a com tanta força...
Bateu-a com tanta força que, ao partir-se, estilhaços perfuraram-lhe os pulmões e deixou de respirar. Viu tudo branco e deixou-se cair no chão. Reinava a fraqueza, a dependência. Reinava a podridão. Não conseguia sentir os pés, nem as pernas. Não conseguia também sentir os braços. Apenas a cabeça deitada na relva fria, humedecida pelo orvalho matinal. Ela sempre a amou muito e, desde que a conheceu, que se tornou a coisa mais importante da sua vida.
Dava-lhe cores, causava-lhe calores. Pesadelos eufóricos que lhe traziam bem estar. Um prazer incomparável que a tornava incapaz de a abandonar.
Infelizmente, os bons tempos acabaram e tudo esmoreceu em frente dos seus olhos. Essa luz escureceu e o amor não passava de uma crónica dor. E agora foi-se.
E ela ali deitada no jardim, sem a morfina.
Bateu-a com tanta força...
Bateu-a com tanta força que, ao partir-se, estilhaços perfuraram-lhe os pulmões e deixou de respirar. Viu tudo branco e deixou-se cair no chão. Reinava a fraqueza, a dependência. Reinava a podridão. Não conseguia sentir os pés, nem as pernas. Não conseguia também sentir os braços. Apenas a cabeça deitada na relva fria, humedecida pelo orvalho matinal. Ela sempre a amou muito e, desde que a conheceu, que se tornou a coisa mais importante da sua vida.
Dava-lhe cores, causava-lhe calores. Pesadelos eufóricos que lhe traziam bem estar. Um prazer incomparável que a tornava incapaz de a abandonar.
Infelizmente, os bons tempos acabaram e tudo esmoreceu em frente dos seus olhos. Essa luz escureceu e o amor não passava de uma crónica dor. E agora foi-se.
E ela ali deitada no jardim, sem a morfina.
É mais fácil perceber como voa um avião...
Está quase quase a sair "Pesadelos em Peluche", mais um álbum da banda de Adolfo Luxúria Canibal que, tal como todos os anteriores, promete surpreender. E é já na segunda-feira! Devo ainda alertar que os Mão Morta vão apresentar ao vivo o álbum, no dia 29 deste mesmo mês, no Coliseu dos Recreios de Lisboa. É certo que, se vivesse perto, estava lá batidinha.
Como disse Adolfo Luxúria Canibal, o líder da banda bracarense, o álbum "teve como ponto de partida o livro The Atrocity Exhibition (A Feira de Atrocidades), de J. G. Ballard", e é relativo a uma nova percepção do real que o panorama mediático e cultural instituído pela moderna comunicação de massas induz no indivíduo, segundo as palavras do próprio. Existe toda uma teoria interessante por detrás deste novo trabalho da banda, tal como em todos os outros que nos foram até agora apresentados. Quem tiver interessado, pode ler mais sobre o que está por detrás das simples melodias aqui.
"Pesadelos em Peluche", além da participação especial de Fernando Ribeiro e Mário Pereira, conta com as seguintes faixas:
"Pesadelos em Peluche", além da participação especial de Fernando Ribeiro e Mário Pereira, conta com as seguintes faixas:
1. Novelos da Paixão
2. Teoria da Conspiração
3. Paisagens Mentais
4. Biblioteca Espectral
5. Tardes de Inverno
6. Como um Vampiro
7. Penitentes Sofredores
8. O Seio Esquerdo de R.P.
9. Fazer de Morto
10. Metalcarne
11. Estância Balnear
12. Tiago Capitão
Fiquem com o vídeo de "Novelos de Paixão":
2. Teoria da Conspiração
3. Paisagens Mentais
4. Biblioteca Espectral
5. Tardes de Inverno
6. Como um Vampiro
7. Penitentes Sofredores
8. O Seio Esquerdo de R.P.
9. Fazer de Morto
10. Metalcarne
11. Estância Balnear
12. Tiago Capitão
Fiquem com o vídeo de "Novelos de Paixão":
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arrssousa.
Sexta-feira, 16 de Abril de 2010
Sexta-feira, Abril 16, 2010
Isto:
O Fado é a suprema criação musical, e a mais pura forma de comunicação e expressão da cultura portuguesa. Amália Rodrigues é um ícone nacional que deixou uma marca permanente no Fado. Não existem fronteiras, línguas ou barreiras que consigam suster esta força. Hoje, definitivamente, o Fado é conhecido e reconhecido mundialmente.
Este "Kizomba - Tributo Amália" é um CD de homenagem a essa grande senhora do fado e suporta uma experimentação dos ritmos, sonoridades arrebatadoramente quentes e sensuais da Kizomba com os poemas que expressam a saudade e o destino originalmente interpretados por Amália, como é o caso de: "Estranha forma de vida", "Canção do mar", "Uma casa portuguesa" ou " Povo que lavas no rio". Descubra esta fusão de conceitos num CD de tributo à grande diva do Fado: Amália Rodrigues.
http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=bz.stories/59931
Pelas alminhas.
Disse e repito: pe-las al-mi-nhas.
Mas que porra é esta afinal? Vamos lá começar a analisar a coisa. O primeiro parágrafo está perfeito, tudo normal, não podia concordar mais. O Fado é das poucas coisas que os portugueses realmente se podem orgulhar. Todo o mundo conhece e, melhor, todo o mundo adora o nosso Fado. Seja do Camané, da jovem Ana Moura, da já (infelizmente) falecida Amália Rodrigues e até mesmo da tão falada Mariza, entre muitos outros. Mas o problema começa no parágrafo que se segue: "Este "Kizomba - Tributo Amália" é um CD de homenagem".
Ora bem, há aqui duas coisas que não batem certo nem que a porca torça o rabo. Não há crime maior do que juntar a palavra "Kizomba" com "Tributo" e "Homenagem", na mesma frase. Talvez num universo paralelo, no qual o Cláudio Ramos é heterossexual, isso seja possível. Mas não neste planeta. Não hoje, nem nunca. Mais à frente é dito: "suporta uma experimentação dos ritmos, sonoridades arrebatadoramente quentes e sensuais da Kizomba com os poemas que expressam a saudade e o destino originalmente interpretados por Amália".
Oh diabo...a imagem que me passou agora pela cabeça foi, nada mais nada menos do que a grande fadista Amália Rodrigues, numa praia tropical, cobrindo os seus seios com um bikini feito de côcos, a dançar com um indivíduo musculado de raça negra, enquanto canta "Ai, Mouraria". Entendem o meu ponto de vista? Estou frustrada! Associar a saudade e o destino com "sonoridades quentes e sensuais" é a pior porcaria feita desde a edição do álbum de José Castelo Branco.
Porquê? Mas porque raio tinham de assassinar brutalmente e sem qualquer sentido de piedade o pouco de bom que temos na música do nosso país? Este álbum mais rapidamente é visto como um insulto do que como uma homenagem, ou tributo, ou lá que caraças eles chamaram a esta coisa pirosa. Acho que nem me vou dar ao trabalho de ouvir, tenho medo que o derrame cerebral sempre aconteça. E eu que dizia que Amália Hoje era mau.
Ai se a Amália soubesse...
...
*derrame cerebral*
*derrame cerebral*
Ora bem, há aqui duas coisas que não batem certo nem que a porca torça o rabo. Não há crime maior do que juntar a palavra "Kizomba" com "Tributo" e "Homenagem", na mesma frase. Talvez num universo paralelo, no qual o Cláudio Ramos é heterossexual, isso seja possível. Mas não neste planeta. Não hoje, nem nunca. Mais à frente é dito: "suporta uma experimentação dos ritmos, sonoridades arrebatadoramente quentes e sensuais da Kizomba com os poemas que expressam a saudade e o destino originalmente interpretados por Amália".
Oh diabo...a imagem que me passou agora pela cabeça foi, nada mais nada menos do que a grande fadista Amália Rodrigues, numa praia tropical, cobrindo os seus seios com um bikini feito de côcos, a dançar com um indivíduo musculado de raça negra, enquanto canta "Ai, Mouraria". Entendem o meu ponto de vista? Estou frustrada! Associar a saudade e o destino com "sonoridades quentes e sensuais" é a pior porcaria feita desde a edição do álbum de José Castelo Branco.
Porquê? Mas porque raio tinham de assassinar brutalmente e sem qualquer sentido de piedade o pouco de bom que temos na música do nosso país? Este álbum mais rapidamente é visto como um insulto do que como uma homenagem, ou tributo, ou lá que caraças eles chamaram a esta coisa pirosa. Acho que nem me vou dar ao trabalho de ouvir, tenho medo que o derrame cerebral sempre aconteça. E eu que dizia que Amália Hoje era mau.
Ai se a Amália soubesse...
Mulher que é mulher não come mel, chupa as abelhas.
Cheguei ontem. E cheguei com vida, por incrível que pareça. Até podia fazer aqui um doc com uma lista do que me dói mas só me restam 80 gb livres no disco duro.
Sinceramente não há muito para dizer, dado que não fui por qualquer motivo espiritual, nem fui cumprir qualquer promessa. Andei 150 km a la pata e estou aqui que nem posso, além de ter sentido o cheiro de umas prováveis 150 toneladas de cocó de vaca que ainda hoje me enjoam. Mas valeu a pena e tenciono voltar a fazer novamente o caminho francês até Santiago de Compostela (daqui a muuuuito tempo, quando me conseguir levantar).
O que me deixou realmente triste foi, ao chegar a casa, ver os resultados do Super Blog Awards promovido pela Superbock. Não apenas pela razão do meu blog não ter sido premiado (vou mentir, não? Claro que fiquei triste! E dava tanto jeito...), mas também por quase não haver um único blog que me agradasse entre os vencedores. Provavelmente esqueceram-se de ver alguns dos blogs que por lá andavam. Esqueceram-se de reparar na riqueza das publicações de blogs como Barulho Esquisito, ou a originalidade do blog do rapaz da Unha Negra, sem sequer referir alguns que nem foram apurados para a fase final. Basta analisar a lista de blogs aqui ao lado para partilharem da minha opinião.
Volto a dizer que fiquei desiludida com o júri e com as respectivas escolhas. Decidiram optar por blogs actualizados diariamente mais que uma vez, embora com conteúdo do mais desinteressante do que possa haver, e do qual eu me ria quando tinha os meus 9 anos. Ou até blogs que relatam aterrorizantes quebras de unhas e queda de cabelo, sem nunca me esquecer de referir que hoje basta ser relativamente famoso para ganhar. É como diz o outro, o Portugal dos Pequeninos só existe no seu estado sólido e palpável, porque nas mentalidades nunca será sequer construído. E eu a pensar que esta era uma competição saudável e com princípios...!
Não querendo deixar dúvidas, devo deixar claro que muitos dos blogs foram merecedores do prémio, na minha opinião.
E descobri agora mesmo que adoro estrear cadernos.
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arrssousa.
Segunda-feira, 12 de Abril de 2010
Segunda-feira, Abril 12, 2010
Às vezes pergunto-me como é que me meto nestas coisas.
Já arranjei maneira de ir parar 10 dias a França sozinha. Seguiu-se Barcelona e França mais uma vez. Nestes últimos tempos foi a Polónia. Desta vez arranjei outra mais trabalhosa e cansativa.
Cuidem-se: Desta vez é o Anticristo a caminho de Santiago de Compostela.
Até para a semana!
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arrssousa.
Domingo, 4 de Abril de 2010
Domingo, Abril 04, 2010
Uma Páscoa Nonsense
Quem me conhece sabe bem que não sou muito dada a essas tradições religiosas. A Páscoa é daquelas que não me agrada particularmente ou, dito por palavras mais rudes, é uma bela porcaria.
Beijar a cruz e levar com água benta na focinheira? Vão é purificar o raio que os parta. Havia de ser agora a altura da tão falada Gripe A. Até ao OMS se ria.
A sério, beijar a cruz? Eu sei lá quem já lá andou com a boca. Eu sei lá se essa pessoa sofre de herpes labial! Um-no-jo. Acho que sempre fingi um beijo, assim com uns estratégicos 3 cm de distância daquela coisa mal cheirosa e metálica. Bem, quando era pequena devo ter mandado uns xoxos valentes lá, mas isso nem conta. Inocência...
Mas eu sei bem que o Xô Padre gosta é das comezainas na casa das pessoas. Eu bem reparo. Na casa dos meus avós é, todos os anos, uma média de 2 minis, uns docinhos tradicionais e mais meia dúzia de amêndoas de chocolate.
Amêndoas.... Deve ser a única coisa boa no meio de tudo isto. É por essa razão que vai ser a única parte da tradição que vou manter no meu dia de Páscoa. Quero ver se este ano me escapo dessa coisa retardada de beijar a cruz em 5849038758936523 casas diferentes, e passo um dia à maneira (dentro do possível). Pelo amor da nossa senhora das berlengas, ninguém gosta de beijar a cruz, diga o que disser!
Só me irei converter a isto da páscoa quando escolherem este coelho.
Só me irei converter a isto da páscoa quando escolherem este coelho.

Já que escolho este, aproveito e revejo o filme porque sim. Além disso, o Bugs Bunny já está démodé. What's up, Doc?
O "mais certinho" que posso fazer é armar-me em estudante aplicada e fazer os trabalhos todos que deixei para o último dia, para me redimir dos meus pecados. Sempre é melhor que levar com águas nas bentas. Qual purificar, qual carapuça...
P.S.: Todos os priminhos, amiguinhos e qualquer-termo-ligado-a-pessoas-que-mantêm-boa-relação-com-a-minha-família-inhos que lerem esta publicação, peço-vos que mantenham o bico calado porque quero continuar a dormir dentro de casa. Obrigada pela atenção.
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arrssousa.
Sábado, 3 de Abril de 2010
Sábado, Abril 03, 2010
Mais rabiscos.

Today I woke up all sweaty and hot, and for my exasperation it wasn't because of any erotic dream, oh no. So I'm with the flu and I woke up all sweaty and hot and with a strange urge to draw something really stupid and fangirl-ish with lots of meaningless song lyrics and stuff. instead of finishing schoolwork. I don't know if it's the flu or my perturbed brain.
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arrssousa.
Sexta-feira, 2 de Abril de 2010
Sexta-feira, Abril 02, 2010
Retrato de uma imbecil quando jovem.
Eu não sei o que raio me está a passar pela cabeça para partilhar isto. Se calhar gosto de me humilhar. Que se lixe. Rir é bom e eu gosto. E gosto de ver os outros a rir também, e acho que isso justifica o que vou mostrar a seguir. Acho. A merda é que devia ter a certeza. Continuando...
No Natal do ano em que tinha completado os meus 7 anos de idade, ofereceram-me este diário.
Depois de tardes e tardes de arrumações nas passadas férias de Verão, voltei a encontrar este velho companheiro. Sim senhor. À primeira vista parece um diário normal: não é. E não o é porque contém as frases mais podres e inimagináveis de todo o universo e arredores. As mais deprimentes, atrever-me-ia. Acreditem ou não, isto é um baú de pérolas causadoras de derrames cerebrais e disfunções erécteis. Se virem este diário perto de vocês, não o tentem abrir se não desejarem a morte.
E foi pela seguinte razão que decidi partilhar a 1ª página deste mesmo diário, não para mandar ninguém para o hospital, mas para vos dar razões para gozar comigo e para aproveitar e rir-me também um bocado de mim. Prontos para a genialidade de uma criança de 7 anos? Cá vai.
E foi pela seguinte razão que decidi partilhar a 1ª página deste mesmo diário, não para mandar ninguém para o hospital, mas para vos dar razões para gozar comigo e para aproveitar e rir-me também um bocado de mim. Prontos para a genialidade de uma criança de 7 anos? Cá vai.
"A Rita e a Márcia são minhas amigas.
A Julie é minha amiga.
A Adriana é minha amiga.
Eu sou amiga de Jesus e de Deus.
A Margarida é a minha melhor amiga.
A minha mãe é minha amiga normal."
A Julie é minha amiga.
A Adriana é minha amiga.
Eu sou amiga de Jesus e de Deus.
A Margarida é a minha melhor amiga.
A minha mãe é minha amiga normal."
Isto são apenas as primeiras 6 frases e já se sente a poesia. Repararam na facilidade com que consegui rimar 3 vezes com a mesma palavra? E nos conhecimentos revelados sobre a diversidade dos tipos de rima? É emparelhada, é cruzada....Muito perspicaz para uma miúda de 7 anos.
"Eu sou amiga de Jesus e de Deus." YEAH. RIGHT. A catequese fazia mal. Já mencionei aqui que depois da 1ª comunhão obriguei a minha mãe a tirar-me de lá? E que cuspi a hóstia durante a tal cerimónia porque o facto de a porca estar colada ao céu da boca me irritou solenemente?
Outra frase que devo enfatizar é "A minha mãe é minha amiga normal". Mas...que raio? Conseguem imaginar a vossa própria pessoa com 7 anos, rasteirinha, sem meia dúzia de dentes e a arrotar qualquer coisa parecida com "Mãe, és minha amiga normal :) ." Era só isto que queria dizer. Adiante.
"Eu sou amiga de Jesus e de Deus." YEAH. RIGHT. A catequese fazia mal. Já mencionei aqui que depois da 1ª comunhão obriguei a minha mãe a tirar-me de lá? E que cuspi a hóstia durante a tal cerimónia porque o facto de a porca estar colada ao céu da boca me irritou solenemente?
Outra frase que devo enfatizar é "A minha mãe é minha amiga normal". Mas...que raio? Conseguem imaginar a vossa própria pessoa com 7 anos, rasteirinha, sem meia dúzia de dentes e a arrotar qualquer coisa parecida com "Mãe, és minha amiga normal :) ." Era só isto que queria dizer. Adiante.
"Eu tenho 7 anos e sou boa aluna na escola.
Também sei muita anedotas e adivinhas.
Às vezes chateiome com as minhas amigas.
Mas não sei porquê?"
Depois fico outra vez amiga é engraçado."
Também sei muita anedotas e adivinhas.
Às vezes chateiome com as minhas amigas.
Mas não sei porquê?"
Depois fico outra vez amiga é engraçado."
Mas que porra é esta, afinal? De certeza que acharam estranha a pontuação e afins, mas limitei-me a copiar.
Acho que morreu um pedaço do meu cérebro. Incapaz de comentar.
Em frente.
Acho que morreu um pedaço do meu cérebro. Incapaz de comentar.
Em frente.
"A minha mãe gosta muito de mim e do meu irmão.
Mas gosta mais do meu irmão.
Às vezes o meu irmão é pitosga.
E a minha mãe também."
Mas gosta mais do meu irmão.
Às vezes o meu irmão é pitosga.
E a minha mãe também."
Algumas considerações sobre a família. Parecia esquecer-me frequentemente da existência do pai. Além disso, quase que aposto que naquela altura não sabia o significado de "pitosga". Provavelmente vi a palavra algures no mesmo dia e achei piada.

"Eu às vezes sou esperta.
E o meu irmão também.
A Andreia é minha amiga como a minha mãe."
E o meu irmão também.
A Andreia é minha amiga como a minha mãe."
Conclusão: A Andreia era minha amiga normal. E eu acho que só escrevi aquilo sobre o meu irmão porque ele me estava a ajudar a escrever. Mas isto é o que a minha cabeça me diz e a malandra costuma induzir-me muitas vezes em erro. De qualquer maneira, que fique aqui bem claro que ele é burro. Mas tá a tirar medicina. Mas é burro.
E acaba aqui aquela que é a primeira página de muitas. Sobre a parte das letras já puderam ter uma pequena ideia. Sim, pequena. Só puderam ver uma diminuta parte daquilo que contém relatos como "Depois o meu irmão foi fazer cocó." ou "Liguei a televisão e estava a dar o filme Anastasia. No intervalo fui tomar banho depois perdi o resto do filme".
E as ilustrações? Fabulosas é um insulto. É ver para crer.
Boa noite querido blog.
E acaba aqui aquela que é a primeira página de muitas. Sobre a parte das letras já puderam ter uma pequena ideia. Sim, pequena. Só puderam ver uma diminuta parte daquilo que contém relatos como "Depois o meu irmão foi fazer cocó." ou "Liguei a televisão e estava a dar o filme Anastasia. No intervalo fui tomar banho depois perdi o resto do filme".
E as ilustrações? Fabulosas é um insulto. É ver para crer.
Boa noite querido blog.

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arrssousa.
Segunda-feira, 29 de Março de 2010
Segunda-feira, Março 29, 2010
The TV Theme Medley
Este Fredrik só pode ter tido uma boa dose de trabalho, acompanhada de uma grande pitada de paciência para fazer uma coisa assim.
Fim das votações. Obrigada a todos!
As votações terminara ontem. Obrigada a todos que perderam o seu precioso tempo a votar no meu blog. O Cold Tea With Milk passou por várias posições durante todo o mês, tendo atingido até o 2º lugar. Infelizmente, até ao dia 24 só consegui ficar em 9º lugar no ranking geral, sem nunca deixar de esboçar um sorriso por estar em 2º na minha categoria. Mais um obrigado! Foi gira esta competição. Só posso esperar que ganhe quem realmente merece.
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arrssousa.
Quinta-feira, 25 de Março de 2010
Quinta-feira, Março 25, 2010
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